Não. Então, essa filha aí do título do blog não sou eu. Mas podia. Essa é a sensação que tive ao ler "Os riscos de dormir sozinha" (Record, R$ 13,20 a R$ 52,90, segundo o site Buscapé), de Elise Juska. Ao mergulhar nas impressões de uma mãe sobre sua filha, pensei em mim mesma, em como minha mãe deve me ver. Charlotte, a mãe da história, podia ser a minha, e Emily, a filha, poderia ser eu. E isso me fez pensar.
O livro estava guardado na minha casa há quase seis anos! Resgatei a obra do limbo literário há uns dois. Um dia o reencontrei e comecei a ler no ônibus, mas parei. E lá se foi mais um ano com a edição na estante. Agora, enfim, comecei de novo e fui até o final.
Isso tudo para dizer que as coisas têm seu tempo. Talvez tenha demorado tanto para ler esse livro porque eu precisava me descolar e aproveitar o gancho para me ver sob outra ótica. E foi bom.
Chartlotte é divorciada há 15 anos e tem uma vida tranquila, regrada, mas sofre de insônia. Sua filha Emily mora com o namorado, em outra cidade (o namorado é negro e isso chega a causar algum desconforto). Quando a filha e o namorado vêm para passar um fim de semana, a tranquilidade acaba porque várias coisas acontecem e Charlotte sai de seu conforto ao ter de tomar decisões. Mais ou menos.
Emily é um tanto alternativa e acaba "obrigando" a mãe a participar disso, como quando compra uma "máquina de sonhos" para ajudá-la a dormir, convida-a para um restaurante tailandês ou oferece-lhe uma fita com mensagens de autoajuda. Charlotte detesta tudo isso, mas aceita. E quantas vezes os filhos não fazem isso? Oferecem aos pais o que é bom para si, não para eles? Claro que é tudo bem intencionado, mas a gente não faz ideia do que se passa na cabeça dos nossos pais quando fazemos isso. Essa é uma parte engraçada no livro.
Uma parte triste é ver como nossa mãe fica desolada quando a deixamos por coisas superficiais, imediatistas, e quando compartilhamos com outros algo que deveria ser feito com ela. E como nós filhos fazemos essas coisas sem perceber as consequências! Por outro lado, a gente passa um tempo achando que nossos pais não nos conhecem ou não reconhecem a pessoa adulta que nos tornamos quando, na realidade, eles continuam sabendo quem somos, como agimos e quais são as decisões que tomamos. Impressionante! Resumindo, tudo que a gente acha que é "não", é "sim".
O livro vale em todas as suas 447 págianas e como, diz a própria crítica na contracapa, é "Leitura obrigatória...principalmente se você for mãe ou filha!" (de Chicklitbooks). Eu acrescento "se você estiver preparada para se ver no espelho e reavaliar conceitos". Tem hora que é difícil. Mas passar por tal incômodo é frutífero.
O livro vale em todas as suas 447 págianas e como, diz a própria crítica na contracapa, é "Leitura obrigatória...principalmente se você for mãe ou filha!" (de Chicklitbooks). Eu acrescento "se você estiver preparada para se ver no espelho e reavaliar conceitos". Tem hora que é difícil. Mas passar por tal incômodo é frutífero.
Se você for filha, como eu e quiser ler, vá em frente apenas se estiver disposta a rever seu comportamento com a sua mãe, a ser mais tolerante e flexível e a admitir que sua mãe te conhece muito mais do que você imagina.









